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1. Introdução

A presente reflexão insere-se no Tema 2 da Unidade Curricular – A avaliação na Educação Online – cujas atividades foram desenvolvidas entre 30 de março e 4 de maio de 2026 (tendo a fase 2 sido estendida até julho de 2026) e teve como objetivo central abordar criticamente o percurso desenvolvido na construção de um capítulo para um recurso sobre Boas Práticas de Avaliação em E-learning (posteriormente intitulado “Avaliação Online no Ensino Superior: Princípios, Estratégias e Boas Práticas”), a partir de um processo colaborativo de natureza académica, desenvolvido com base na reflexão crítica sobre a avaliação no ensino superior online e sustentado por literatura científica diversa, com particular destaque para os contributos de Conrad e Openo (2019).

As competências enunciadas e desenvolvidas com a atividade centraram-se na discussão da avaliação da aprendizagem online no ensino superior, na identificação de conceitos e estratégias que sustentam uma nova cultura de avaliação e na sistematização desses contributos num Recurso Educacional Aberto (REA) congregador dos trabalhos de cada grupo. Este processo implicou uma abordagem colaborativa, sustentada numa leitura crítica mediada pela ferramenta Perusall e na construção coletiva de conhecimento.

Deste modo, a discussão da avaliação em ambientes online, a caracterização de conceitos que enquadram e propiciam uma nova cultura avaliativa e a produção coletiva do REA aglutinador das participações de todos foram as estratégias desenvolvidas para a consecução da atividade em duas fases.

Tendo em conta que a transição das práticas pedagógicas no ensino superior online exige uma reconfiguração epistemológica profunda, Conrad e Openo (2019) preconizam que o advento do e-learning abriu novas portas a velhas questões sobre avaliação, instando-nos a abandonar modelos assentes na mera classificação e na reprodução estéril de conhecimento, em prol de abordagens centradas no desenvolvimento de competências.

Neste enquadramento, a avaliação em e-learning é entendida, acima de tudo, como um processo contínuo, integrado e orientado para a aprendizagem, em que as atividades desenvolvidas se inserem nessa mesma lógica.

2. Registo reflexivo sobre o percurso desenvolvido

A operacionalização das atividades ocorreu de forma faseada e sistemática, integrando momentos individuais, sessões em pequenos grupos e uma articulação alargada em fórum específico.

Fase 1 – Formação do grupo e desenvolvimento de um capítulo do REA

O trabalho iniciou-se com a constituição do grupo (Esmeralda Cavel, José Gonçalves, Júlia Reis e Judite Santos), seleção dos temas a trabalhar e divisão de tarefas. Seguiu-se a leitura colaborativa no Perusall da obra de Conrad e Openo (2019), permitindo destacar conceitos, identificar estratégias de avaliação e dialogar com os colegas, em articulação com literatura científica sobre o tema. Através do uso de etiquetas, dinamizámos a partilha de ideias e destacámos as ideias centrais da obra.

Posteriormente, procedeu-se à construção do capítulo 2 – Avaliação Autêntica, Aberta e Estratégias de Avaliação em Contextos de E-learning – do recurso, através da realização de sessões síncronas de planificação, análise e revisão da produção de conteúdo, trabalho colaborativo no Word365 e discussão contínua no grupo de WhatsApp criado para o efeito, culminando com a submissão da proposta de texto no fórum.

Fase 2 – Construção e consolidação do REA

Procedeu-se à integração dos contributos de todos os grupos num documento colaborativo único. Neste contexto, assumi a responsabilidade pela harmonização gráfica e organização global do documento final.

Este processo consistiu em definir algumas regras para a formatação e arranjo gráfico do documento e em coligir e fundir os capítulos desenvolvidos por todos os grupos num único documento partilhado. O trabalho colaborativo, que se prolongou até ao mês de julho, abrangeu a criação da ficha técnica, índice, separadores de capítulos, nota aos leitores, síntese final e anexos, acolhendo propostas de conteúdo e gráficas partilhadas pelos colegas.

3. Principais Aprendizagens Realizadas

O envolvimento neste percurso gerou aprendizagens que considero estruturantes, no âmbito do tema trabalhado:

  • Aprofundamento conceptual e contextualização: destaco a aquisição de conhecimentos sobre avaliação autêntica, avaliação aberta, diários de aprendizagem, projetos colaborativos, portefólios digitais, avaliação por pares e certificação digital de competências, bem como a sua aplicabilidade prática em contexto digital e online, tendo consolidado o domínio das dinâmicas de feedback formativo, avaliação formativa e por pares, compreendendo-os como pilares de ecossistemas educativos híbridos ou totalmente virtuais, através das práticas avaliativas. Em síntese, a análise realizada permitiu compreender que a construção de práticas de avaliação em e-learning exige uma reconfiguração pedagógica orientada para a autenticidade, a participação e a aprendizagem significativa, constituindo um elemento fundamental para responder às exigências da educação superior em ambientes digitais.
  • Conexão com a experiência prévia e prática pedagógica: enquanto docente da área das Artes Visuais e com formação de base em Arquitetura, encontrei um paralelismo direto entre os conceitos de avaliação autêntica e o modelo de aprendizagem por projetos, que sempre implementei no âmbito da atividade docente. A necessidade de traduzir currículos normativos em atividades práticas contextualizadas por essa prática ganhou, assim, um sólido suporte teórico e científico.
  • Desenvolvimento da Educação Aberta: a minha vivência em Moçambique — um contexto marcado por severas assimetrias e barreiras no acesso à educação — moldou o meu interesse particular pela Educação Aberta. Aprofundei a compreensão, empiricamente, que a produção e difusão de REAs bem concebidos, quando enquadrados por Práticas Educacionais Abertas (PEA), podem constituir um motor de equidade social, inclusão e democratização do conhecimento, para as quais a avaliação aberta deve contribuir e estruturar essas práticas.
  • Competências de gestão coletiva: a assunção da tarefa de harmonização gráfica do REA contribuiu para desenvolver competências essenciais de “liderança colaborativa” na mediação crítica, negociação e trabalho colaborativo em equipas alargadas.

4. Reflexão Crítica

O trabalho colaborativo de ambas as fases foi positivo, caracterizado por aprendizagem, responsabilidade e partilha.

Na 1.ª fase salienta-se que a aplicação Perusall revelou-se eficaz na partilha de ideias e na promoção da reflexão crítica conjunta.

Posteriormente, o trabalho do capítulo que foi desenvolvido viabilizou uma aprofundamento teórico de conceitos cruciais que alicerçam a Avaliação Autêntica e a Avaliação Aberta em e-learning, em articulação com literatura científica de relevo, com especial enfoque para os seguintes :

  • Avaliação Autêntica: centra-se no desempenho de tarefas do mundo real com significado prático intrínseco, contrapondo-se à artificialidade dos testes padronizados.
  • Avaliação Aberta: trata-se de um processo distribuído, transparente e participativo assente em critérios explícitos face a metas tangíveis.
  • Portefólios Digitais (e-Portefólios) e Diários de Aprendizagem: instrumentos reflexivos e multimodais que agregam evidências do percurso formativo, potenciando a metacognição, a autorregulação e a observação longitudinal da evolução do aprendente.
  • Avaliação por Pares: processo colaborativo pautado pelo fornecimento de feedback estruturado entre pares, incentivando o pensamento profundo.
  • Recursos Educacionais Abertos (REA): Materiais licenciados de forma aberta (p. ex., Creative Commons), promovendo a democratização e equidade no acesso ao conhecimento.
  • Outros conceitos relevantes: analisámos igualmente o impacto dos MOOCs (Massive Open Online Courses) , badges digitais (microcredenciais de competências) e sistemas de RPL (Reconhecimento de Aprendizagem Prévia).

A análise do recurso principal (Conrad & Openo, 2019) e a sua articulação com outros (mencionados no fim deste artigo), selecionados pelo grupo, permitiu confrontar as vantagens teóricas da avaliação em contexto digital com os seus desafios reais.

A título de síntese, se por um lado, as estratégias autênticas aportam alta relevância e mitigam o risco de fraude académica (ao substituir exames tradicionais por evidências de processo), por outro lado, deparam-se com uma elevada complexidade de design e exigência temporal, gerando por vezes sobrecarga docente. Ademais, emergem tensões cruciais entre os modelos inovadores orientados para a avaliação formativa e as pressões institucionais e organizacionais que continuam a exigir a padronização, a comparabilidade e a pura classificação sumativa.

A elaboração do capítulo pelo qual assumimos responsabilidade e os elementos acessórios do documento final integrador incluíram o uso intencional e responsável da IA generativa, devidamente documentado na nossa Ficha de Registo de IA. Longe de servir como um substituto da autoria intelectual, a IA operou como um parceiro criativo e técnico.

A título de exemplo, refira-se que:

  • O Claude.ai foi envolvido para traduzir a matriz conceptual que elaborámos através da tabela de “Vantagens, Limites e Desafios” num infográfico.
  • O Copilot auxiliou na formatação técnica inicial das referências bibliográficas segundo as normas APA 7ª edição, as quais foram posteriormente validadas e corrigidas manualmente por nós.
  • O NotebookLM foi testado para a síntese dos desafios em formato de vídeo.
  • Recorreu-se também à IA para a tradução fidedigna de uma rúbrica de avaliação de bases de dados (desenvolvida por um dos colegas noutro contexto profissional) de inglês para português.

A nossa avaliação crítica determinou que, embora a IA ofereça ótimos contributos de produtividade e formulação de ideias iniciais, apresenta limites claros, como a geração de linguagens demasiado informais ou imprecisões que obrigam a uma constante mediação e validação à luz dos conhecimentos do utilizador e de fontes científicas originais.

Na 2.ª fase, as principais dificuldades centraram-se na gestão do tempo, nas limitações gráficas do Word365, enquanto aplicação colaborativa usada para a edição do REA, e a necessidade de sucessivas revisões / correções do documento final, até à sua conclusão.

O desenvolvimento das atividades colocou desta forma em evidência barreiras de ordem técnica e logística, gerando as seguintes respostas estratégicas:

  • Limitações das ferramentas de edição gráfica: a decisão de conceber o documento final integrador através do Word365 visou salvaguardar a participação democrática e o trabalho colaborativo simultâneo de toda a turma. Contudo, o Word365 implicou fortes restrições para a edição eletrónica e paginação avançada. Como estratégia de superação, adotei um design gráfico pautado pela simplicidade, clareza e fluidez visual, recorrendo a uma paleta sóbria de três cores (amarelo mostarda, verde e ciano) sintonizadas com a capa, e fonte adequada para leitura em ecrã (Verdana), tentando, sempre que possível, integrar todas as sugestões gráficas dos colegas.
  • Gestão do tempo e articulação assíncrona: a conciliação de agendas numa turma numerosa e a comunicação assíncrona tornou mais complexo o processo de articulação, revisão final e integração de contributos de conteúdo e imagem. Superámos este óbice através da flexibilidade e do estabelecimento de consensos em fórum, com a liderança da docente da UC.
  • Dilema ético de propriedade e licenciamento: durante a fase de consolidação do REA, surgiu um debate levantado por nós relativamente à licença da obra original de Conrad e Openo (2019) — que é CC BY-NC-ND 4.0 (não permitindo obras derivadas). Para evitar violações ético-jurídicas e, sobretudo, porque a produção do REA, foi uma atividade que colocou em diálogo também outros autores de referência no domínio da avaliação online e as nossas experiências / estratégias de aplicação prática, tomámos a decisão concertada de reformular o texto introdutório, clarificando que o nosso recurso constitui uma produção académica colaborativa totalmente autónoma, que dialoga com a literatura especializada e usa a referida obra como uma das suas inspirações teóricas orientadoras, salvaguardando a integridade do projeto e permitindo o seu licenciamento livre como REA sob a licença Creative Commons CC BY 4.0 International.

5. Participação e Envolvimento

O grupo restrito de trabalho da 1.ª fase revelou coesão, partilha, colaboração e flexibilidade. As sessões síncronas foram fundamentais para a articulação conjunta da planificação inicial, acertos e debate de ideias estruturantes e harmonização e aprovação final do capítulo 2 do REA. Destaca-se um trabalho de equipa colaborativo e solidário, com boa gestão de tarefas e comunicação eficaz. O resultado obtido, com a redação do capítulo 2 do REA cumpriu os objetivos propostos.

Na 2.ª fase, o trabalho assumiu um caráter bastante prolongado, implicando acompanhamento contínuo. Houve participação ativa dos colegas nas diferentes fases e coordenação docente efetiva nos momentos-chave do processo.

6. Reflexão Final e Aplicabilidade Futura

A atividade desenvolvida permitiu consolidar a premissa de que a avaliação em contextos digitais online não se pode circunscrever a uma mera transposição mecânica ou tecnicista da avaliação tradicional para o ecrã e sim compreender a avaliação em e-learning como um processo contínuo, formativo e centrado na aprendizagem.

A atividade permitiu também aprofundar conhecimentos sobre avaliação em contextos digitais e online e compreender a sua complementaridade com o ensino presencial, em modelos híbridos.

Destacam-se como aprendizagens fundamentais adicionais às acima enunciadas:

  • A importância da avaliação formativa e contínua;
  • A centralidade do feedback contínuo, estruturado e significativo no processo de aprendizagem;
  • A relevância da avaliação autêntica e contextualizada;
  • O papel das comunidades de aprendizagem e da colaboração;
  • A necessidade de integrar a tecnologia de forma crítica e pedagógica.

Avaliar em e-learning reveste-se de uma intencionalidade eminentemente formativa e humanizada: constitui o fio condutor que acompanha, orienta, regula e confere significado à aprendizagem.

Os horizontes contemporâneos desenhados pelo avanço da Inteligência Artificial não devem ser encarados com pânico focado no controlo, mas sim como uma oportunidade para desenhar avaliações baseadas em processos autênticos e reflexivos de coautoria crítica e literacia digital.

Como produto final deste percurso, o REA “Avaliação Online no Ensino Superior: Princípios, Estratégias e Boas Práticas” materializa-se não como um manual estático, mas como um testemunho vivo de coconstrução de saber.

O REA produzido constitui um recurso relevante para a prática futura, podendo ser utilizado em contextos de ensino e formação. Além disso, a experiência adquirida no trabalho colaborativo e na produção de um recurso aberto poderá ser integrada em futuras práticas pedagógicas e no desenvolvimento do trabalho final de mestrado.

De acordo com a literatura científica mobilizada, a avaliação online deve ser planeada de forma intencional, alinhando objetivos, atividades e critérios, e promovendo o envolvimento ativo dos estudantes.

Em síntese, esta experiência reforçou a ideia de que a avaliação em e-learning deve ser concebida como um processo contínuo, reflexivo, inclusivo e centrado na aprendizagem, contribuindo para a formação de aprendentes autónomos, críticos e capazes de aprender ao longo da vida.

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Nota sobre a utilização de Inteligência Artificial:

Foi utilizado o sistema ChatGPT – Open AI (versão gratuíta), no auxílio à formulação do modelo estrutural de suporte da presente e das futuras intervenções reflexivas no contexto da UC Avaliação em E-learning, posteriormente adaptado, e no apoio à formulação do título referente ao artigo, posteriormente ajustado, para além da correção ortográfica e sintática do texto final. As reflexões e conteúdos do presente texto são da minha autoria, em articulação com literatura científica sobre o tema tratado.

Referência do artigo:

Conrad, D., & Openo, J. (2019). Estratégias de avaliação para a aprendizagem online (J. Mattar, D. W. A. Duarte, C. C. de Lima, & J. da Silva Nunes, Trads.). Artesanato Educacional.  https://www.abed.org.br/arquivos/Estrategias_de_avaliacao_para_aprendizagem_online_Athabasca.pdf  

Referências do trabalho de grupo (capítulo 2):

Afonso, A. (2025). Impacto da inteligência artificial na avaliação da aprendizagem em ambientes virtuais . Universidade Aberta. http://hdl.handle.net/10400.2/20310  

Al‑Rahmi, W., Aldraiweesh, A., Yahaya, N., Kamin, Y. B., & Zeki, A. M. (2019). Massive open online courses (MOOCs): Data on higher education. Data in Brief, 22, 118–125. https://doi.org/10.1016/j.dib.2018.11.139  

Loureiro, P., & Gomes, M. J. (2023). Online peer assessment for learning: Findings from higher education students. Education Sciences, 13(3), Article 253. https://doi.org/10.3390/educsci13030253  

Pires, A. L. O., & Rodrigues, M. R. (2022). Experiências de portefólios digitais no ensino superior: Perspetivas de professores e estudantesSérie-Estudos, 27(59), 285–300. https://doi.org/10.20435/serie-estudos.v27i59.1566 

Raciti, M., Tham, A., & Dale, J. (2024). Recognition of prior learning in higher education: A systematic literature review. Journal of University Teaching & Learning Practice, 21(9), 1–30. https://doi.org/10.53761/bys3aj56  

UNESCO. (2012). Declaração REA de Paris em 2012. UNESCO. https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000246687 

Vlachopoulos, D., & Makri, A. (2024).  A systematic literature review on authentic assessment in higher education: Bestpractices for the development of 21st century skills, and policy considerations. Studies in Educational Evaluation, 83, Article 101425. https://doi.org/10.1016/j.stueduc.2024.101425 

(Redação: junho de 2026; Publicação: julho de 2026)

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