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Neste diário de bordo, reflito criticamente sobre a atividade relativa ao estado da arte da avaliação em e-learning com enfoque no ensino superior e nos desafios que esta enfrenta, centrando-me no processo e nas aprendizagens coconstruídas, tendo em conta o objetivos, as competências e os critérios estabelecidos para a atividade.

1. Identificação da Atividade

  • Data – De 17 a 27 de março de 2026
  • Tema: O Estado da Arte em Avaliação em E-learning
  • Tipo de atividade: diálogo com a IA  generativa sobre o tema, pesquisa e leitura de artigos científicos, trabalho em pares, análise e reflexão crítica sobre as respostas da IA através do cruzamento com as informações extraídas dos artigos, trabalho colaborativo na discussão, relexão e elaboração de um relatório conjunto, debate e coreflexão em fórum alargado à turma.

2. Síntese da Atividade

A sequência de tarefas foi, após a formação do par B (Esmeralda Cavel e Judite Santos), a seguinte:

  • Seleção do sistema de IA que respostas mais completas gerou, face à questão inicial (proposta pelas docentes). O Ms Copilot (versão disponibilizada pela UAb) foi a escolhida;
  • Registo das respostas aos prompts inicial e subsquentes, de aprofundamento (2);
  • Identificação e resumo das ideias-chave geradas pelo Copilot;
  • Pesquisa de artigos científicos sobre o tema no GoogleScholar, Repositório Aberto e RCAAP;
  • Elaboração de uma tabela de análise dos artigos pré-selecionados, com presença das ideias-chave da IA, identificadas previamente, e de outras, de relevo e seleção dos 2 artigos mais abrangentes / complementares;
  • Elaboração colaborativa do relatório de reflexão solicitado no quadro da atividade;
  • Apresentação do relatório da atividade aos colegas no fórum apropriado;
  • Análise dos relatórios dos restantes pares da turma e debate das ideias, tendo em conta os conteúdos e aspetos mais relevantes sobre o estado da arte da avaliação em e-learning no contexto atual.

Da apreciação dos relatórios produzidos pelos outros pares e do debate sobre os resultados e aprofundamento de alguns aspetos considerados chave, registo os principais assuntos / conceitos tratados:

  • a evolução da avaliação em e-learning;
  • a intencionalidade pedagógica na avaliação;
  • o papel da IA na avaliação;
  • a importância de feedback contínuo, imediato e formativo;
  • a relação entre avaliação autêntica e aprendizagem significativa;
  • a automatização da avaliação;
  • os instrumentos de avaliação.

Foram igualmente debatidos os seguintes desafios mais prementes (a maioria  dos quais requerem formação docente), com influência em processos avaliativos justos, transparentes e éticos:

  • integridade académica;
  • equidade digital;
  • literacia digital (incluindo em IA);
  • literacia avaliativa;
  • princípios éticos e gestão de dados;
  • condições institucionais adequadas.

3. Aprendizagens Realizadas

No decurso da atividade, tive contacto, aprofundei e debati sobre os seguintes tópicos / conceitos de relevo:

  • modalidades de avaliação à distância (autoavaliação, avaliação em pares, avaliação do professor – formativa e sumativa e avaliação automatizada;
  • tipos de avaliação mais usados;
  • avaliação autêntica;
  • instrumentos de avaliação mais adequados;
  • estratégias de avaliação digital;
  • feedback contínuo e formativo;
  • rubricas e critérios (melhor abordados na leitura de recursos e debate sobre a rúbrica relativa à autoavaliação e avaliação em pares); 
  • ética, inclusão e transparência na avaliação;
  • papel da IA na avaliação;
  • relação entre pedagogia, tecnologia e avaliação;
  • formação de docentes e literacia em avaliação (estudantes e docentes).

4. Reflexão Crítica

A atividade permitiu realizar uma primeira abordagem à avaliação em contextos de e-learning, onde, para além de uma evolução ao longo do tempo, foi possível compreender os principais conceitos e práticas associados ao tema.

O tema da avaliação em educação evoluiu de forma sistemática ao longo do tempo, incorporando características  que o relacionam com os contextos socio-cultural-educativos e como uma prática educacional em construção sistemática, que gera anseios, dúvidas, limitações, e especificidades, sempre com o objetivo de sanar imperfeições evidenciadas anteriormente (Muniz et al.,2026) e aproveitar as potencialidades dos modelos e práticas de sucesso.

Historicamente, as práticas avaliativas partiram de uma lógica classificatória, centradas em provas, exames e critérios, voltadas para a mensuração do rendimento académico e frequentemente dissociada de processos de aprendizagem efetivos e da reflexão pedagógica (Perrenoud, 1999, citado por Silva et al., 2026).

Atualmente, a avaliação formativa é frequentemente relatada como a alternativa pedagógica que propõe acompanhamento contínuo da aprendizagem, análise qualitativa do processo académico e organização do processo de ensino-prendizagem, a partir das necessidades dos estudantes (Perrenoud, 1999, citado por Silva et al., 2026), favorecendo a construção de conhecimento, através de estratégias mais personalizadas e de qualidade, que auxiliem o estudante a compreender as suas dificuldades e os seus avanços (Hoffman, 2014, citado por Silva et al., 2026).

No que se refere à consolidação do conceito de avaliação em contextos de e-learning, este pode ser definido como um procedimento estruturado de recolha de dados e/ou evidências relativas aos estudantes e aos respetivos processos de aprendizagem, com a finalidade de analisar e interpretar as suas disposições enquanto aprendentes, recorrendo a tecnologias da informação (Baker et al., 2016, Conrad & Openo, 2018, citados por Heil & Ifenthaler, 2023). Desenvolve-se em ambientes digitais interligados em rede, é conduzida por agentes humanos e não humanos (avaliação automatizada) e pode ser implementada em contextos online ou híbridos (Gikandi et al., 2011, citados por Heil & Ifenthaler, 2023).

Foram indentificadas as quatro modalidades de avaliação acima mencionadas, no ponto 3., as quais incidem sobre processos e artefactos-instrumentos (quizzes, ensaios / escrita  de diversos tipos, e-portfolios, diários de aprendizagem, projetos , exercícios e tarefas  específicos de disciplinas, questões abertas e curtas, wikis, geração de questões pelos estudantes , simulações e jogos digitais, atividades multimédia, provas escritas, apresentações  orais via videoconferência, estudos de caso).

Heil e Ifenthaler (2023) reforçam que os processos de avaliação online combinam diversas modalidades, procedimentos e instrumentos tendendo a centrar-se em práticas de avaliação formativa.

Segundo Lima et al. (2025) a avaliação no ensino à distância é um processo regulador da aprendizagem ligado ao currículo, metodologias e interações típicas dos ambientes online e consubstancia-se como motor de aprendizagem, quando combina dois núcleos:

  • pedagógico – regulação formativa, feedback de qualidade, tarefas autênticas e alinhamento construtivo;
  • sociotécnico – design de interações, comunicabilidade e uso criterioso de dados.

As principais diferenças entre  avaliação presencial e online identificadas são as seguintes:

 Avaliação PresencialAvaliação em E-Learning
LocalSala de aula física / fora da sala de aulaPlataformas digitais (LMS, videoconferências, quizzes e outras atividades online)
InteraçãoDireta, face a face com docenteMediada, via fóruns, chats, videoconferência, trabalhos, e-portefólios
FeedbackGeralmente pós-evento avaliativo (pode demorar)Automático (quizzes) ou assíncrono pelo docente (avaliação formativa e sumativa), feedback contínuo (moderação de debates, por ex.) e autoavaliação / avaliação entre pares, tende a ser imediato / mais rápido
Flexibilidade temporalHorário fixo, geralmente únicoAssíncrona ou síncrona, múltiplas hipóteses ou janelas de tempo flexíveis
Instrumentos de avaliaçãoProvas escritas, orais, práticas, presenciais, participação, trabalhos individuais / em grupo, projetosQuizzes online, tarefas digitais, e-portfolios, projetos colaborativos, diários reflexivos, debates assíncronos e síncronos (videoconferência, chats)
MonitorizaçãoSupervisão direta pelo professorProctoring online, logs do LMS, deteção de plágio, tarefas autênticas – processos e produtos
Recursos de apoioMateriais físicos, biblioteca, apoio presencialRecursos digitais, tutoriais online, fóruns de ajuda e feedback, vídeos interativos
PersonalizaçãoLimitada, mesma prova para todosCaminhos autónomos, personalizados e adaptativos, questionários diferenciados, aprendizagem baseada em demonstração de conhecimentos e competências
Segurança / IntegridadeControlo direto – mais difícil copiarFerramentas de verificação de identidade, políticas de integridade online, verificação da aplicação de princípios éticos
Principais modalidades de avaliaçãoAvaliação sumativa, avaliação formativa, autoavaliação, heteroavaliação – testes sumativos, observação direta, tarefas e exercícios, participação, discussões, trabalhos de grupo, apresentações orais, com baixa/moderada dependência tecnológicaAvaliação formativa, autoavaliação, avaliação entre pares – feedback contínuo / automático, fóruns de discussão, quizzes , learning analytics, avaliação em tempo e sequencial de tarefas autênticas, ao longo do percurso de aprendizagem, com elevada dependência tecnológica

Na avaliação em contextos online, os  processos de construção de aprendizagens exigem desenho pedagógico cuidado (Lima et al, 2025), maior autonomia dos estudantes, o que implica avaliação definida de forma adequada, criteriosa e rigorosa, estabelecendo critérios e indicadores de desempenho que se relacionem com os conteúdos, objetivos , competências a desenvolver e resultados esperados em cada atividade, constituindo; critérios de avaliação claros e pré-definidos como fator de sucesso, a que se acrescenta o acompanhamento pedagógico (Heil & Ifenthaler, 2023) e o mais transparentes possível (McCracken et al., 2012; Martin et al., 2019, citados por Heil & Ifenthaler, 2023).

É ainda mais relevante na avaliação em e-learning  esta ser voltada  para a construção de aprendizagens múltiplas, flexíveis, personalizadas através de tarefas autênticas que provavelmente os estudantes enfrentariam num ambiente real (Martin et al., 2019; McCracken et al., 2012; Dermo & Boyne, 2014; Schultz et al., 2022, citados por Heil & Ifenthaler, 2023).

Do lado do professor, a disponibilidade e a comunicação (feedback imediato e contínuo) com os alunos é também considerada essencial (Heil & Ifenthaler, 2023).

A equidade e acessibilidade às tecnologias são pilares da avaliação online, pois estudantes com menos recursos tecnológicos ou socioeconómicos podem ficar em desvantagem, comprometendo a justiça avaliativa.

Foi ainda possível identificar tensões que têm influência no processo avaliativo, como:

  • tecnologia vs pedagogia – um design pedagógico intencional e coerente articula os aspetos pedagógicos da aprendizagem com as características e potencialidades oferecidas pelas tecnologias que o suporta;
  • inovação vs qualidade – a utilização de tecnologias, por si só, não implica inovação pedagógica, nem garante qualidade educativa, dependendo antes da intencionalidade pedagógica, do design pedagógico, com adequação aos objetivos de aprendizagem;
  • avaliação formativa vs avaliação sumativa – a avaliação sumativa pode funcionar como modalidade complementar da avaliação formativa para a certificação das aprendizagens (Gikandi et al., 2011, citados por Heil & Ifenthaler, 2023), previamente apoiadas e reguladas ao longo do processo avaliativo, configurando um sistema avaliativo integrado;
  • inovação pedagógica vs regras institucionais – os regulamentos e práticas institucionais, com modelos rígidos ou culturas académicas ainda centradas em exames tradicionais e métricas quantitativas podem originar impedimentos à inovação sustentada;
  • potencialidades vs limitações da IA – a Inteligência Artificial oferece possibilidades de personalização, automatização, feedback e apoio à aprendizagem, mas levanta igualmente questões relacionadas com ética, fiabilidade, enviesamentos, privacidade, autoria e integridade académica;
  • complexidade da aprendizagem vs modelos avaliativos tradicionais – a natureza complexa e multidimensional da aprendizagem online não é adequadamente captada por modelos avaliativos tradicionais ou pouco adaptados ao ensino online;
  • automatização vs qualidade avaliativa – embora a automatização permita escalabilidade, rapidez e monitorização contínua, pode também reduzir as dimensões qualitativas da avaliação, a métricas sem capacidade de avaliação da qualidade e autenticidade da avaliação, devendo, por isso, ser utilizada como método avaliativo complementar.
  • papel da avaliação como promotora (ou não) da aprendizagem – a avaliação pode assumir uma função reguladora e promotora da aprendizagem, através de tarefas autênticas, feedback e acompanhamento contínuo, ou limitar-se a uma função classificativa e certificadora, centrada apenas na medição de resultados.

Refletindo sobre o desenrolar do processo, aprendizagens realizadas e dificuldades e limitações diagnosticadas, destaco:

  • enquadramento da atividade no tipo de tarefas que originam aprendizagem significativa através da autonomia e coconstrução crítica e reflexiva de conhecimento;
  • a discussão da rúbrica de autoavaliação e avaliação entre pares (externa à atividade, mas contemporânea à mesma) permitiu alguma ligação entre teoria e prática;
  • a dificuldade de gestão do tempo e a necessidade de objetividade e assertividade na elaboração do relatório (com limites de palavras imposto), transformou-se num exercício prático de gestão e desenvolvimento dessas competências;
  • a exercitação e aplicabilidade a contextos reais e a ligação da teoria à prática, sobretudo, com a integração crítica e ética da IA generativa no processo constituiu uma mais-valia;
  • dada a minha experiência prévia na avaliação presencial de estudantes dos ensinos básico e secundário, foi possível estabelecer as diferenças, semelhanças e particularidades da avaliação online.

5. Participação e Envolvimento

Considero que a minha participação foi responsável e cooperativa, tendo encontrado muita flexibilidade e colaboração da parte do meu par, o que permitiu construir um percurso reflexivo, flexível e colaborativo e chegar ao termo da atividade com um produto consentâneo com os objetivos propostos.

O envolvimento nas discussões no fórum foi consistente e procurei contribuir criticamente e com elementos significativos para a reflexão e coconstrução das aprendizagens.

Não foram encontrados obstáculos de relevo para a concretização da atividade.

6. Aplicabilidade Futura

Considero que os conhecimentos adquiridos e as competências desenvolvidas abriram caminho e contribuirão para consolidar e aprofundar as minhas aprendizagens sobre esta temática, potenciando a capacidade de análise crítica e de aplicação prática em contextos de design pedagógico e de prática docente futuros.

7. Conclusão

De uma forma muito sintética, posso afirmar que compreendi que – tal como na avaliação presencial – a avaliação online deve promover aprendizagem significativa e não apenas “classificação”; o feedback contínuo e a avaliação formativa aumentam o envolvimento e a qualidade das aprendizagens dos estudantes; e a tecnologia só tem valor avaliativo quando alinhada pedagogicamente de forma intencional e criteriosa (Boud, 1999, citado por Silva et al., 2026), favorecendo a construção de conhecimento através de estratégias autênticas e de qualidade que auxiliem o estudante a compreender as suas dificuldades e os seus avanços (Hoffman, 2014, citado por Silva et al., 2026).

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Nota sobre a utilização de Inteligência Artificial:

Foi utilizado o sistema ChatGPT – Open AI (versão gratuíta), no auxílio à formulação do modelo estrutural de suporte da presente e das futuras intervenções reflexivas no contexto da UC Avaliação em E-learning, posteriormente adaptado, e no apoio à formulação do título referente ao artigo, posteriormente ajustado. As reflexões e conteúdos do presente texto são da minha autoria, em articulação com literatura científica sobre o tema tratado.

Referências:

Heil, J., & Ifenthaler, D. (2023). Online assessment in higher education: A systematic review. Online Learning, 27(1). https://doi.org/10.24059/olj.v27i1.3398

Lima, M. A. P. do N., Silva, V. dos S., Santos, G. M. dos, Silva, M. C. L. da, Santos, E. S., & Forte, F. T. T. (2025). Tecnologias emergentes e educação a distância: Desafios e perspectivas para a avaliação da aprendizagem. Multidisciplinary Journal Lattice, 2(3). https://doi.org/10.70579/pl.v2u3.79

Muniz, S. M., Muniz, R. de F., & Fontelles Thomaz, A. C. (2026). Avaliação educacional numa perspetiva histórica: a taxonomia das gerações. Revista Eletrônica ACTA SAPIENTIA, 13(1).
http://actasapientia.com.br/index.php/acsa/article/view/74

Silva, A., Pereira, W., Mota, F., Costa, S., Santos, F., & Teixeira, I. (2026). Avaliação no ensino superior: Práticas formativas, desafios institucionais e processos de aprendizagem. Cadernos Cajuína, 11(1). https://doi.org/10.52641/cadcajv11i1.1707

(publicação inicial – 6 de abril de 2026; atualização – 11 de maio de 2026)

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